13.3.10

Apelo iniciante
Lívio Oliveira


Quando ouvi sua voz de menina
não entendi o apelo.
Senti, longe, o perfume.
Próximo, próximo,
o seio doce.
Deu-me o amor que eu queria
e eu ainda não sabia.
Não entendi o apelo,
aviso primeiro,
sinais dos sentidos.
Eu brincava com sua língua,
pingando desejo.
Eu não sabia mesmo.
Não entendi o chamado
e me perdi, no mapa desenhado
em suas costas,
em suas curvas.
Era o primeiro
e ainda eu não percebia.
E perdi o amor que usufruía
nas curvas da noite,
nas retas do dia.




Teus Seios me Apontam o Caminho
Lívio Oliveira


Teus seios me apontam o caminho
e sigo,
descalço e nu,
alimentando-me, unicamente,
do leite puro de tetas
e do mel, mosto único,
embriagador,
sensação lancinante
nos presentes que me embalas,
ao me ninar
sobre as coxas
em veludo.

Entre braços
macios e finos,
entrego-me, solto,
corro no asfalto,
danço nos anéis
de saturno
e de teu umbigo
e me perco
na imensidão
de tua delicadeza
arfante.

Teus artelhos
massageiam minha fronte.
No ritmo de teu sonho,
e do meu,
careço mais um beijo,
mais um enlevo.
Desejo ver o teu voo
de gaivota tímida, quieta,
leve baile sobre a onda forte
que te quer,
como eu te almejo,
tão minha,
tão inteira.






Páginas Abertas
Lívio Oliveira



A página branca,
aberta,
recebeu-me, sedutora,
provocativa,
como incauta virgem
em noite fria.

Minha presença suspeita!

Aguardando a maturação
do vinho e do sonho,
investi no mosto de suas pernas,
doce palidez na madrugada.

Palavras perdidas: o grito!

O tema surgiu,
regurgitando lâminas,
e as coxas postas,
transversalmente,
sobre o meu peito,
sufocavam-me.

Textura de sono: silêncio!

Invariavelmente,
os seios brancos também sufocam,
à medida em que a boca
que os suga
busca mais leite,
como se sobrasse e pudesse
ser colostro.

Alva página.
Quer ser melhor tratada.
Digo-lhe, porém,
mais um segredo:
Deixo sempre uma gota de sangue
e uma de sêmen
em seu cenho.

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