13.9.09

Antes de se tornar o mundaréu dos dias de hoje, o Carnaval era conhecido como entrudo (do latim introitu, “entrada”), os três dias que simbolizavam a porta de entrada para a Quaresma. No Brasil, esse festejo consistia apenas no singelo fato de as pessoas jogarem água umas nas outras.

Para os brasileiros do século XXI, porém, Carnaval, além de ser uma festa popularíssima, rima com volúpia, fazendo jus a um de seus prováveis étimos: carnelevamen, termo latino cujo significado é “prazeres da carne”. Nessa época do ano, não há nada melhor do que nos abastecermos com a sublime invenção de mesopotâmicos e egípcios: a boa e velha loira gelada, a cerveja, ou simplesmente “cerva”, no dizer lacônico de Wolverine. Os versinhos abaixo são uma homenagem a essa bebida que, com o passar dos séculos, vem fazendo a cabeça de uma infinidade de pessoas, exceto dos abstêmios, falsos moralistas, santos, enfermos e sem-paladar.


À cerveja

Lábios sôfregos tocam tua boca de metal

Desesperada, a língua sorve tua essência doirada

E delicia-se com a acrimônia do teu sabor

Teu mundo, então, descortina-se...

A fealdade é mais feia

A boniteza, mais bonita

A tristeza, mais triste

A alegria, mais alegre

Ampliam-se defeitos e virtudes

Vivendo os extremos: eis a tua maior delícia.



Cosme Ferreira

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