Muito se fala sobre
Cosme ferreira
É noite escura e eterna. Vamos lamentar a nossa era poluída. Tem um bar ali na esquina. O cheiro de cerveja se expande. A vontade de beber me constrange. É a união hipócrita dos meus amigos. É a falta de um vistoso abrigo. A incandescência de minha alma... Pura ilusão desastrada. Garantimos a nossa sobrevivência. Debatemos sobre as condições do mundo. Nosso íntimo tem extrema carência. De um amor sincero e profundo. Endividados, escorraçados, emaranhados. Todas as suas desavenças em comum. Sóbrios, bêbados, mal-amados. Atolando-se no esterco do mundo. Meu Deus! Onde está meu apego à vida? Oh ignóbil copo de bebida! O veneno da realidade nos estremece por dentro. Nossas chagas se multiplicam aos milhões. Certezas... Não temos nenhuma. Incertezas... Existem aos bilhões. Por que carregamos esse mal grotesco? Deus e o diabo não dão jeito. A discrepância nos mostra o caminho. Observamos um bando de imbecis reacionários. Vagando pelo anseio de novos cargos... Putrefação das relações sociais! Escolhemos charutos, cigarros ou erva? Tudo é ilusão, tudo é irreal! Vamos tentar explanar nossa incurável dor: insalubridade, impiedade, ininteligibilidade. Os recursos são tão pobres que não podemos mais. Cadê a nossa esperança? É apenas uma vaga utopia. Faremos apologias às periferias. Ficaremos de pés descalços no sujo chão. Nosso exército lutará pelas premissas do bem. Minha causa é a mais ordinária possível. Tá vendo, meu amor... Eu te falei da minha santa dor. Árdua como a lâmina da guilhotina. Que faz meu pescoço sangrar. Antes mesmo de eu me expressar. Alhures eu falarei de emprego. Será que não se pode ter sossego? Pareço um best-seller em decadência. Terremoto de minha consciência. Horripilante e virulenta vaidade. Estaremos no fio da meada. Olho para o céu e percebo que o dia já raiou. E ninguém me esperou. Estou pior que um porco sujo. Respiro com deficiência e continuo inseguro. Nas minhas trêmulas mãos sinto-me arrependido. Minha personalidade é uma massa informe tenebrosa. Nas ruelas podres e nos becos vazios eu desabo. Dessa vez a minha intransigência me arruinará. Acreditar, em quê? Sociabilizar, para quê? Carne mesquinha, leito do mal!
Cosme ferreira
É noite escura e eterna. Vamos lamentar a nossa era poluída. Tem um bar ali na esquina. O cheiro de cerveja se expande. A vontade de beber me constrange. É a união hipócrita dos meus amigos. É a falta de um vistoso abrigo. A incandescência de minha alma... Pura ilusão desastrada. Garantimos a nossa sobrevivência. Debatemos sobre as condições do mundo. Nosso íntimo tem extrema carência. De um amor sincero e profundo. Endividados, escorraçados, emaranhados. Todas as suas desavenças em comum. Sóbrios, bêbados, mal-amados. Atolando-se no esterco do mundo. Meu Deus! Onde está meu apego à vida? Oh ignóbil copo de bebida! O veneno da realidade nos estremece por dentro. Nossas chagas se multiplicam aos milhões. Certezas... Não temos nenhuma. Incertezas... Existem aos bilhões. Por que carregamos esse mal grotesco? Deus e o diabo não dão jeito. A discrepância nos mostra o caminho. Observamos um bando de imbecis reacionários. Vagando pelo anseio de novos cargos... Putrefação das relações sociais! Escolhemos charutos, cigarros ou erva? Tudo é ilusão, tudo é irreal! Vamos tentar explanar nossa incurável dor: insalubridade, impiedade, ininteligibilidade. Os recursos são tão pobres que não podemos mais. Cadê a nossa esperança? É apenas uma vaga utopia. Faremos apologias às periferias. Ficaremos de pés descalços no sujo chão. Nosso exército lutará pelas premissas do bem. Minha causa é a mais ordinária possível. Tá vendo, meu amor... Eu te falei da minha santa dor. Árdua como a lâmina da guilhotina. Que faz meu pescoço sangrar. Antes mesmo de eu me expressar. Alhures eu falarei de emprego. Será que não se pode ter sossego? Pareço um best-seller em decadência. Terremoto de minha consciência. Horripilante e virulenta vaidade. Estaremos no fio da meada. Olho para o céu e percebo que o dia já raiou. E ninguém me esperou. Estou pior que um porco sujo. Respiro com deficiência e continuo inseguro. Nas minhas trêmulas mãos sinto-me arrependido. Minha personalidade é uma massa informe tenebrosa. Nas ruelas podres e nos becos vazios eu desabo. Dessa vez a minha intransigência me arruinará. Acreditar, em quê? Sociabilizar, para quê? Carne mesquinha, leito do mal!
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